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sábado, 23 de julho de 2011

CATADOR SEVERINO JR. E PREFEITA MICARLA DE SOUZA EM FUTURA ÁREA DE LAZER NO ANTIGO LIXÃO DE CIDADE NOVA

Prefeitura vai construir área de lazer no antigo lixão de Cidade Nova







A prefeita de Natal, Micarla de Sousa, visitou hoje (22) a estação de transbordo, em Cidade Nova, na zona Oeste. Ela viu de perto o funcionamento da estação que recebe diariamente mais de 700 toneladas de lixo das zonas Sul, Leste e Oeste da capital. No local, já funcionou um lixão, que foi desativado pela prefeitura. Agora, a área será urbanizada.

"Neste local construiremos uma área de lazer, que contará com Academia da Terceira Idade, pista de bicicross, motocross, skate e onde será edificada a Praça do Catador, além do replantio de árvores e de um pomar" salientou a prefeita. "Também vamos participar do Programa de Recuperação de Áreas Degradadas do Governo Federal", completou.

Os resíduos são depositados na estação e em seguida transferidos em carretas para o aterro sanitário de Massaranduba, em Ceará-Mirim. A prefeita visitou ainda o galpão de uma cooperativa de materiais recicláveis, onde conversou com as catadoras, e o local em que será construída uma área de lazer para a população da zona Oeste. A estação provisória de transferência foi criada em 2004 logo após o fechamento do lixão que funcionava em Cidade Nova.

Micarla lembrou que a Urbana retirou todo o lixo que estava na estação. Seguindo o que preconiza a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que une proteção ambiental à inclusão social, a Prefeitura dará ainda mais atenção à coleta seletiva, até como forma de preparar a cidade para a Copa do Mundo 2014. "Estamos implantando a coleta seletiva no conjunto Cidade Satélite na próxima semana, a exemplo do que já ocorre em Ponta Negra. Para isso, contratamos as cooperativas de materiais recicláveis para realizar a coleta", anotou.

Conforme o presidente interino da Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana), Sérgio Pinheiro, a capital teve um grande avanço no tocante ao destino final dos resíduos urbanos. Ele disse que a Urbana vai incrementar o Programa de Coleta Seletiva e tentará abranger uma grande área da cidade. "A Prefeitura vai contratar as cooperativas Cocamar e Coopcicla para fazer esse trabalho", informou.

Na ocasião, a prefeita foi recebida no escritório do diretor da Cocamar e representante dos catadores do Brasil para a América Latina, Severino Lima Junior. Acompanhada do presidente interino da Urbana, Sérgio Pinheiro; do diretor de Operações, Alexandre Miranda; diretor de Assuntos Comunitários, Ubaldo Bezerra; servidores municipais e lideranças comunitárias, a prefeita Micarla de Sousa ainda visitou a lagoa de captação da estação de rebordo.

Com informações da Secom.
http://tribunadonorte.com.br/noticia/prefeitura-vai-construir-area-de-lazer-no-antigo-lixao-de-cidade-nova/189785

segunda-feira, 18 de julho de 2011

facebook da Prefeitura Municipal de Natal










A Prefeitura Municipal de Natal está no facebook. A matéria sobre a retomada da coleta seletiva em Natal está bem explícita, bem como diversas fotos sobre o evento que ocorreu recentemente com a presença da Prefeita Micarla de Souza, com Severino Jr representante dos catadores e um dos líderes do MNRC, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. Na solenidade também estavam presente o coordenador do Núcleo Estratégico de Ordenamento Urbano, Sérgio Pinheiro e do secretário municipal de Serviços Urbanos (Semsur), Cláudio Porpino. O link para ver a matéria na íntegra é o seguinte:


http://www.facebook.com/pages/Prefeitura-do-Natal/178797598837799?sk=wall#!/media/set/?set=a.199185970132295.73559.178797598837799

terça-feira, 5 de julho de 2011

CATADORES REINICIAM COLETA SELETIVA EM NATAL











COLETA SELETIVA RECOMEÇA POR PONTA NEGRA






O bairro de Ponta Negra, na zona Sul de Natal, retomou a partir desta quinta-feira (30), o programa de coleta seletiva dos materiais recicláveis, que também chegará a todos os bairros de Natal. A retomada do programa só foi possível pela da união da Prefeitura do Natal, por meio da Companhia de Serviços Urbanos (Urbana), com as duas cooperativas de catadores de recicláveis, que na manhã desta quinta-feira (30) relançaram, na Associação de Moradores de Ponta Negra e do Alagamar, a campanha Coleta Seletiva - Eu Apoio.

Na ocasião, a Prefeita Micarla de Sousa juntamente com a diretoria da Urbana fez a entrega oficial do fardamento aos catadores cadastrados e assinou a cessão de autorização de uso dos galpões de Cidade Nova por dez anos, às cooperativas Coopcicla e Coocamar.

“Pensar na reciclagem é pensar no futuro. Qualquer cidade pode ser muito rica e bem estruturada, mas se não realizar ações que promovam o desenvolvimento sustentável de nada adiantará. Por isso temos essa preocupação com o meio ambiente e também em garantir um trabalho digno aos catadores, porque agora eles estão contratados diretamente pela prefeitura, como uma empresa, e receberão pelo serviço prestado, não pela quantidade de material coletado”, pontuou a prefeita Micarla de Sousa.

“Agora os catadores irão chegar às casas como protagonistas dessa história. Com a iniciativa de contratar diretamente os catadores, Natal será uma das cidades pioneiras a tratar os catadores de forma digna e com total apoio para a atividade”, completou o coordenador do Núcleo Estratégico de Ordenamento Urbano, Sérgio Pinheiro.

Atualmente são recolhidas em Natal 200 toneladas/mês de material reciclável e a meta, até o fim deste ano, é ampliar a coleta para 600 toneladas/mês. O retorno do programa tornou-se possível a partir da iniciativa do Executivo Municipal, de contratar diretamente as cooperativas de catadores para realizar o trabalho. A contratação representa um investimento de 90 mil reais por mês.

“É importante recomeçar esse trabalho aqui em Ponta Negra porque foi aqui que a nossa luta pela coleta seletiva começou há seis anos. Vamos agora viver do serviço prestado para toda a sociedade”, avaliou o presidente do Movimento Nacional dos Catadores, Severino Junior. Ainda participaram do lançamento o presidente da Cooperativa de Materiais Recicláveis (Coopcicla), Francisco das Chagas Rocha e o vice-presidente da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis (Coocamar), José Paulírio Vicente.

Coleta Seletiva
O trabalho será iniciado pelos bairros da região Sul e Oeste e, posteriormente, levado às regiões Norte e Leste. Em Ponta Negra, a coleta acontecerá duas vezes por semana, sempre as terças e sábados. Para que o programa fosse retomado com força total, desde a semana passada uma equipe de educadores ambientais da Urbana esteve no bairro de Ponta Negra conscientizando e orientando a população a separar o material reciclável.

“As pessoas não precisam colocar o material na calçada por que o catado vai passar porta-a-porta para recolher o material diretamente com o morador. E para aumentar ainda mais essa relação de confiança, nosso pessoal estará devidamente identificado pelo fardamento”, ressaltou o gerente de Meio Ambiente da Urbana, Heverton Rocha.







http://www.natal.rn.gov.br/noticia/ntc-6264.html

sexta-feira, 3 de junho de 2011

CATADORES DO MNCR SE REUNEM COM O MINISTRO GILBERTO CARVALHO








O MNCR esteve reunido no dia 27/04 com o Ministro Gilberto Carvalho da Secretaria Geral da Presidência da República. Durante o encontro o MNCR encaminhou demandas e reivindicações dos catadores do Brasil para fortalecimento e avanço da categoria na cadeia produtiva de reciclagem e combate a pobreza.
Segundo os membros da Equipe de Articulação do MNCR, o Ministro reforçou o compromisso público de apoiar as ações do MNCR e se colocou a disposição para ser interlocutor direto junto a Presidência da República, assim como articular o dialogo direto dos catadores com os Ministérios das Cidades, Saúde e outros que ainda não se reuniram com o MNCR, além do BNDES.
A pauta de reivindicações trata especialmente de ações emergenciais com relação ao atendimento e assistência dos catadores atingidos pelo fechamento de lixões por todo o Brasil. Há também na pauta o investimento em capacitação técnica dos catadores e fortalecimento do Centro Nacional de Referencia do MNCR. “O MNCR se colocou a disposição do Ministro para contribuir com ações de erradicação da pobreza extrema entre os catadores do Brasil” informou Severino Lima, membro da Equipe de Articulação do MNCR, e informou que também foi cobrado a implementação do Decreto Pró-catador e institui diversas ações de apoio aos catadores e fortalecimento da categoria na cadeia produtiva.
“A pauta foi entregue e não deixamos de reforçar questões como o problema com as prefeituras que querem incinerar os recicláveis como é o caso de São Bernardo do Campo e do Governo do Distrito Federal. Agora vamos acompanhar o processo para ver os resultados” explicou Roberto Laureano, da Equipe de Articulação do MNCR.
Outras reivindicações abrangem áreas como infra-estrutura das cooperativas, saúde, moradia, educação popular, inclusão digital, pagamento por serviços ambientais e aplicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos.
O MNCR deve pedir apoio do Ministro ao PL de iniciativa popular do MNCR sobre a inclusão dos catadores como segurados especiais na Previdência Social. O PL esta em tramitação na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados.

http://www.mncr.org.br/box_2/noticias-regionais/mncr-se-reune-com-o-ministro-gilberto-carvalho

terça-feira, 24 de maio de 2011

CATADOR SEVERINO JR É RECEBIDO PELA PREFEITA DE NATAL





O Catador e articulador do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis-MNCR Severino Jr foi recebido em audiência pela Prefeita Micarla de Souza. Divesos assuntos relacionados aos catadores foi levado ao conhecimento da Prefeita. Em breve postaremos mais detalhes, pois Severino Jr. encontra-se na França participando do SEGUNDO ENCONTRO FRANCO-BRASILEIRO "DÉCHETS ET CITOYENNETÉ(LIXO E CIDADANIA)

domingo, 22 de maio de 2011

CATADOR MADE IN BRAZIL

















De 17 a 29 de maio de 2011 a FUNDAÇÃO FRANCE LIBERTÉS organiza em Paris, Beauvais, Sanit Denis e Aubervilliers, em parceria com o Consórcio de Prefeituras de Plaine Commune e uma rede de cooperativas e associaçoes O SEGUNDO ENCONTRO FRANCO-BRASILEIRO "DÉCHETS ET CITOYENNETÉ(LIXO E CIDADANIA).



O objetivo desses encontros é de construir, reforçar e manter uma cooperação franco-brasileira na área de residuos, promover e valorizar o papel da economia popular no gerenciamento e na cadeia dos resíduos, conscientizar o público francês sobre a importância da questão social e desenvolver a dimensão política da gestão dos resíduos favorecendo o diálogo com as instâncias de decisão.




Severino Junior, catador representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis - MNCR, participará assiduamente do encontro para levar sua experiencia ao povo francês.

sábado, 14 de maio de 2011



Lula e o encontro com os catadores

Não foi só com os executivos da Ambev que Lula se reuniu nesta semana. Na quarta-feira, 11, o ex-presidente recebeu cinco catadores no Instituto Cidadania, na capital paulista. Estiveram presentes lideranças do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). “Fizemos um balanço de todas as ações nos oito anos de governo Lula”, diz Severino Lima Junior, que participou do encontro. Morador de Natal (RN), Severino trabalhava num lixão da cidade. “Agradecemos as ações que foram feitas pelos catadores, tão marginalizados”, afirma.
O ex-presidente Lula se comprometeu a participar da Expocatadores 2011, que será realizada nos dias 9, 10 e 11 de novembro. Os representantes também pretendem convidar a presidente Dilma para o evento, assim como para o Encontro de Mulheres Catadoras, que vai acontecer ente 7 e 9 de junho em Curitiba (PR).
A Expocatadores deste ano será especial para o MNCR, pois o movimento completará 10 anos. Segundo Severino, diversas ações fizeram com que a categoria avançasse muito em qualidade de vida e autoestima. “Houve o reconhecimento profissional, o fortalecimento das cooperativas, o acesso a políticas públicas”, afirma. “Nesses oito anos conseguimos capacitar mais de 50 mil catadores. Queremos dobrar esse número.”
Hoje o movimento estima que existam entre 800 mil e 1 milhão catadores de material reciclável. Apenas de 5 a 10% estão organizados em cooperativas e associações. Os demais trabalham em lixões e nas ruas.
O grande desafio, diz Severino, é que esses catadores saiam das mãos de atravessadores. “Às vezes, eles trabalham por servidão, por cachaça.” Ele também esteve com o Ministro da Casa Civil, Gilberto Carvalho, no início do mês, e uma das demandas apresentadas é fazer um censo para saber quantos realmente estão nas ruas e lixões.
Estudo do Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), associação de empresas para fomentar a reciclagem, mostra que 40% de todo o lixo urbano gerado no país é despejado em lixões a céu aberto. Outro dado do estudo é que apenas 8% dos municípios brasileiros dispõem de programas de coleta seletiva. Grande parte do que é reciclado hoje passa pelas mãos dos catadores.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), sancionada em agosto de 2010, incentiva os municípios a implantarem a coleta seletiva com a participação de cooperativas. Os municípios que assim fizerem terão prioridade no acesso aos recursos do governo federal. A lei, que tramitou por 20 anos no Congresso, é considerada uma vitória pelos catadores. Assim como o Programa Pró-Catador, estabelecido pelo Decreto 7.405 na regulamentação da lei, em dezembro de 2010.
A luta dos representantes do movimento é que os catadores se organizem melhorando a qualidade de vida. Com tristeza, Severino destaca os dois assassinatos de carroceiros no centro de São Paulo nos últimos dias. “Pedimos ajuda a Lula, para que os casos não fiquem impunes, que haja investigação.”




http://www.revistaforum.com.br/blogdascidades/?p=61

terça-feira, 10 de maio de 2011



Apenas 8% dos municípios fazem a coleta seletiva de lixo




Diariamente o Brasil produz 150 mil toneladas de lixo, das quais 40% são despejadas em aterros a céu aberto. O destino adequado do lixo é um problema que afeta a maioria das cidades - apenas 8% dos 5.565 dos municípios adotam programas de coleta seletiva.
Os dados são de um estudo realizado pelo Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem e mantida por empresas privadas.
O Brasil tem hoje uma Política Nacional de Resíduos Sólidos instituída pela Lei Federal 12.305, de 2 de agosto de 2010, e regulamentada pelo Decreto Federal 7.404, de 23 de dezembro de 2010. Considerada uma vitória do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, o projeto tramitou por 20 anos no Congresso Nacional.
“Nós entramos no circuito porque a primeira lei sequer citava os catadores”, explica Severino Lima Junior, da coordenação nacional do movimento. Segundo ele, a lei é uma das melhores da América Latina .”Hoje a gente tem dados mostrando que 90% do material reciclado passou pela mão de um catador, seja ele de cooperativa ou de rua e lixões.”
A coordenadora de Consumo Sustentável do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fernanda Daltro, diz que a aprovação da lei foi o resultado de uma grande mobilização de todos os setores envolvidos: a sociedade, o setor produtivo, o governo e os catadores. “A demora da tramitação foi necessária para a adequação de todos os interesses destes setores, do próprio mercado, para atender as exigências, e dos governos, para entender a importância de uma política para os resíduos sólidos.”
A partir do segundo semestre de 2012 os brasileiros poderão ter regras fixas e determinadas pelo governo federal para o descarte adequado de produtos como eletroeletrônicos, remédios, embalagens, resíduos e embalagens de óleos lubrificantes e lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista .
Pela lei, os governos municipais e estaduais têm dois anos de prazo para a elaboração de um plano de resíduos sólidos .



Fonte:Agência Brasil
http://www.jornalbrasil.com.br/interna.php?autonum=24550

domingo, 8 de maio de 2011

Natal deixa de reciclar e volta a ter lixão


A irregularidade da limpeza urbana de Natal levou a atividade a regredir pelo menos sete anos, voltando para 2004, quando o lixão do bairro de Cidade Nova funcionava "a todo vapor", prejudicando ambientalmente a área. A situação é grave ao ponto do percentual de lixo reciclado ter se tornado praticamente inexistente na capital e uma boa parcela das pessoas que faziam a coleta seletiva ter sido obrigada à degradante atividade de catar detritos em um ambiente sem nenhum padrão de cuidado com a saúde dos que lá trabalham.
Para se ter ideia da situação, há dois anos o percentual de lixo reciclado girava em torno de 1% e hoje está em cerca de 0,25%. Os atrasos nos pagamentos das empresas prestadoras de serviço da Urbana resultou no acúmulo de resíduos no lixão de Cidade Nova, que deveria funcionar apenas como estação de transbordo do lixo, a ser enviado para o aterro sanitário de Ceará-Mirim.

Cerca de 80 catadores estão sem trabalhar por falta de condições de fazer a coleta. Sem emprego, muitos deles, somado a outro montante de carroceiros, estão encontrando sustento no lixão desde novembro de 2010. Um trabalho feito de forma degradante, realizado na maioria das vezes no período da noite, na hora que ninguém está vendo e não há fiscalização.

Quando começou, no ano de 2002, a Associação de Catadores de Material Reciclável (Ascamar) deu início às suas atividades junto com a cidade de Londrina e chegaram a virar exemplos nacionais no trabalho de coleta seletiva. Hoje, quase 10 anos depois, Londrina é reconhecida internacionalmente pela atuação nessa área, reciclando 25% de todo lixo da cidade, e Natal saiu do índice de 1% para 0.25%.

Ao longo dos anos, muitas associações surgiram na capital potiguar e deram origem a Cooperativa de Catadores de Material Reciclável (Cocamar) e à Cooperativa de Material Reciclável (Coopcicle). Segundo o coordenador da coleta seletiva da Cocamar, José Anderson Vicente Maia, os trabalhos na coleta seletiva eram feitos com 16 caminhões, empregavam180 catadores e o serviço era prestado com regularidade nos bairros.

"A situação começou a mudar em outubro do ano passado", relatou Anderson. Nesse período, as cooperativas já contavam com apenas 10 carros, e conseguiam recilar 0,5% do lixo de Natal. Com o atraso de seis meses no pagamento dos proprietários dos caminhões, valor que gira em torno de R$ 100 mil, o serviço foi suspenso. Apenas um caminhão, que é de propridade da Cocamar, ficou funcionando. "A Prefeitura nunca colocou uma gota de combustível para ajudar nessa época", lembrou Anderson. A Urbana não tem contrato com os catadores. O que eles retiram do lixo é a única fonte de renda. A contribuição do município para esse serviço é oferecer o fardamento, os caminhões, e os equipamentos de proteção individual. Desde 2009, o fardamento foi entregue apenas uma vez, o que deveria ser realizado a cada seis meses. O caminhões voltaram a ser pagos há menos de um mês, e hoje são seis, três para cada cooperativa e não há equipamentos de proteção individual.Melhorias

Anderson afirma que no último mês ocorreu alguma melhorias. A volta dos poucos caminhões permitiu o retorno de 10 pessoas ao trabalho. Ele diz que é inevitável que alguns catadores voltem ao lixão, apesar de afirmar que a maioria é carroceiro. "Conversamos com o nosso pessoal para não fazer isso e a maioria compreendeu", esclareceu. Informações dão conta de que as catações nas montanhas de lixo acontecem durante a noite, horário que não há fiscalização da Urbana. Um dos atrativos de quem vai catar lixo é o valor que pode ser arrecadado. Há quem ganhe R$ 500 por semana com o que tira do lixão. Os catadores da coleta seletiva estão ganhando em torno de R$ 300 por mês.

Há muito anos trabalhando dentro do antigo lixão, a primeira vez como carroceiro e depois como integrante da coleta seletiva, José Paulírio Vicente diz que nunca passou por situação pior que a atual. "Essa esteira está quebrada há quatro anos", apontou. José tem esperança que a Prefeitura irá apoiar o trabalho da coleta seletiva e que ele poderá se aponsentar com dignidade.

O diretor-presidente interino da Urbana, Sérgio Pinheiro, diz que a Urbana tem planos para a coleta seletiva. " Eles estão com sete caminhões e nós vamos contratar o caminhão deles. Vamos também estruturar os galpões, capacitar os catadores e já existe a minuta para fazer a contratação das cooperativas", garantiu. A ideia da Urbana é continuar com a coleta seletiva porta a porta. Isso faz com que a esteira parada há quatro anos não seja mais usada, embora ele garanta que o equipamento será consertado. " As experiências de coleta seletiva que foram feitas em esteira não deram certo", afirma Sérgio.

http://www.diariodenatal.com.br/2011/05/08/cidades2_0.php

quinta-feira, 28 de abril de 2011







Severino Jr. da ASCAMAR e MNCR


Os catadores já estão incluídos na legislação, agora é valer a lei!
MNCR luta pela efetivação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)
Publicado originalmente no jornal O Trecheiro (Abril) http://www.rederua.org.br/


A geração de lixo sempre foi um grande problema para as cidades. Anos e anos os catadores de materiais recicláveis e moradores em situação de rua realizaram um serviço ambiental de limpeza pública e proteção do meio ambiente.
O Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) elegeu entre seus objetivos prioritários a construção de políticas públicas para o tratamento adequado do lixo com inclusão social dos catadores. Durante muitos anos, provocou a sociedade e o poder público para a necessidade de um marco regulatório para a produção e destinação final de resíduos sólidos no Brasil. Antes mesmo de se ouvir falar em aquecimento global e mudanças climáticas, os catadores buscavam imprimir nessa nova lei um caráter social que atendesse as ansiedades dos trabalhadores que, desde sempre, fizeram a destinação correta dos resíduos sólidos, gratuitamente, em condições precárias e, em muitas situações, sendo marginalizados pelo poder público.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Lei 12.305/2010, aprovada pelo legislativo e regulamentado pelo Governo Federal, é fruto de uma luta que durou 21 anos e, depois de muita briga e reivindicação, a Lei prevê em seu texto incentivo às organizações de catadores, assim como a participação delas na gestão integrada dos resíduos sólidos e na cadeia produtiva.
Segundo Roberto Laureano, catador da Coordenação Nacional do MNCR, a nova legislação traz para os catadores muitos desafios, “temos os planos de resíduos sólidos que os municípios têm que elaborar, por isso estamos articulando para que todas as organizações discutam esses planos em seus municípios para garantir, de fato, a participação dos catadores no processo”, explica.
“Temos que fazer valer aquilo que está na lei, é importante que os municípios entendam que é preciso reduzir, reutilizar e reciclar, para em ultimo caso pensar em processos de reciclagem energética”, esclarece Laureano, informando também que a recuperação energética não é apenas a incineração, mas há outras alternativas de recuperação que não a queima dos recicláveis. Para Laureano, “os municípios estão pulando etapas e o movimento está buscando apoio jurídico para travar esses municípios que estão tentando implantar incineradores e excluir os catadores do processo. Estamos nos unindo a outros movimentos sociais para fazer barulho para dizer não à incineração”, completa.
O andamento da PNRS sempre foi bloqueado pelo interesse das indústrias que preferiam não se responsabilizar por seus resíduos. São, na realidade, resíduos perigosos que afetam à saúde humana e à natureza de forma irreversível. A indústria tem uma dívida histórica com os catadores e deve pagar o trabalho realizado pelas cooperativas para recuperação de suas embalagens pós-consumo.
É preocupação do MNCR que se garanta a presença também dos catadores de rua nas políticas públicas de gestão de resíduos no Brasil. “Nossa luta é para que estejamos juntos, presentes nesse processo. Não queremos que as indústrias nos vejam apenas como forma de ajuda ou assistência, queremos de fato sermos vistos como um braço de trabalho nesse processo e que esse trabalho tem que ser remunerado”, declara Laureano.









fonte: http://www.mncr.org.br/box_2/noticias-regionais/os-catadores-ja-estao-incluidos-na-legislacao-agora-e-valer-a-lei

sábado, 26 de março de 2011

SEVERINO JR NO JÔ SOARES

Em 2003, o atual lider-parceiro da Fundação AVINA, representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis - MNCR, notório palestrante em eventos internacionais, além de ser um dos articuladores da Rede Latino-Americana e Caribenha de Catadores, despontava no programa do Jô, é isso mesmo, programa do Jô. A sagacidade o fez ir longe, demonstra sua humildade por onde quer que vá, e não tem embaraço algum em dizer que sobreviveu e sobrevive do "lixo". Parabéns pela sua garra Severino.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ministra do Desenvolvimento Social e Combate a Fome reafirmou seu compromisso de continuar parcerias












Maria do Carmo, Ronei Alves, Luiz Henrique e Severino Lima em reunião com a Ministra Tereza Campello. Também participou Jaira Pupim, do MDS.

O MNCR esteve reunido com a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Tereza Campello, no ultimo dia 17 em Brasília, para entregar pauta de reivindicações da categoria, bem como acordar a continuidade do apoio do MDS ao trabalho dos catadores de materiais recicláveis.

A ministra recebeu o documento com as reivindicações e declarou o compromisso em dar continuidade ao trabalho realizado pelo MDS ao longo dos anos. Sinalizou ainda para o aprofundamento desse apoio. “Os catadores são um público estratégicos do MDS e têm prioridade em nossa agenda. Nós queremos continuar essa parceria de modo que vocês participem dessa frente de para erradicação da pobreza”, declarou Tereza Campello em reunião com os catadores.

Foi tratada na reunião a necessidade de continuidade de projetos exitosos como o projeto em parceria com a UNESCO, além da atuação do MDS como principal órgão a frente de ações de apoio aos catadores. Outro ponto importante foi em relação à atuação do Comitê Interministerial de Inclusão Social e Econômica dos Catadores, no qual os catadores ressaltaram a necessidade do continuar havendo um dialogo direto com os catadores e que o Comitê não seja colocado como intermediário dos catadores e o Governo Federal.

O MNCR solicitou apoio para construção de um Centro de Referência Nacional que centralize tecnologias e conhecimento sobre resíduos sólidos para formação e capacitação profissional dos catadores de todo o país e pretende beneficiar catadores também da América Latina.

Em relação ao programa Bolsa Família, os catadores reivindicaram a necessidade de um programa que atenda os catadores em situações emergenciais como no caso de fechamento de lixões. A ministra se comprometeu em mobilizar os Prefeitos do país, por meio de ofícios e outras ferramentas, para que incluam os catadores no cadastro único do Bolsa Família e dessa forma atender a reivindicação. Foi informado que os catadores de materiais recicláveis e população de rua têm prioridade

fonte: http://www.mncr.org.br/box_2/noticias-regionais/mncr-realizou-reuniao-com-ministra-do-mds

sexta-feira, 18 de março de 2011

Catadores de material reciclavel terão comitê interministerial









Foi instalado, nesta segunda-feira (14), o Comitê Interministerial de Inclusão Social e Econômica dos Catadores de Materiais Reciclaveis, com a participação de representantes de 16 ministérios e nove instituições federais.
O coordenador do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Reciclaveis, Alexandre Cardoso (foto), afirma que a categoria “integra a luta dos pobres por um lugar ao sol”. Cardoso conta que os catadores trabalham até 16 horas por dia e aqueles que estão organizados em associações já chegam a 800 mil. Ele criticou a exploração das indústrias de reciclagem e disse que a maioria dos catadores não consegue ganhar nem um salário mínimo. “Os catadores precisam ter mais espaço para trabalhar e contar com apoio tecnológico, pois 60% da categoria ainda trabalha em cima dos lixões, que são dominados pelas empresas de ferro-velho e ainda por cima contam com a presença do tráfico de drogas”, denunciou.



Um dos líderes do movimento nacional e catador desde os 12 anos, no Rio Grande do Norte, Severino Lima Jr, diz que os trabalhadores que lidam com materiais reciclaveis no Nordeste estão entre os mais vulneráveis do Brasil. “Lá, temos grande dificuldade com a comercialização dos produtos, pois os centros industriais estão no Sul e Sudeste, temos muitos atravessadores”.
A ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, prevê que o fortalecimento do trabalho dos catadores “pode ajudar muito na erradicação da pobreza até 2014, meta da presidenta Dilma Rousseff”. Já a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, destacou que “o comitê alinha agendas ambientais, sociais e econômicas, que vão gerar renda, qualificação profissional e inclusão social”. Izabella informou que “o Brasil perde R$ 8 bilhões por ano por falta de reciclagem”. Para ela, ser catador de material reciclavel “é um trabalho que envolve uma prioridade que diz respeito ao povo brasileiro e não à elite”.

A informação é do Brasília Confidencial

quinta-feira, 17 de março de 2011


Vejam que matéria importante sobre os catadores na pessoa de Severino Jr.

10 Perguntas para Severino Lima Júnior - O Brasil dá Exemplo

Severino Lima Júnior começou a trabalhar em um lixão. Aos 12 anos, vivia de selecionar material reciclável em Natal (RN). Hoje, como um dos líderes do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), ele não só dialoga com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a recém-eleita Dilma Rousseff, com quem se encontrará dia 23, como tem participado de conferências para chamar a atenção para a categoria. São pessoas que mantêm rotinas duras, passam noites nas ruas, empurram carroças e, em alguns países, sofrem até perseguições.

Nesta entrevista concedida por telefone do México, onde participou da 16ª edição da Conferência da Organização das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-16), ele conta sobre a articulação internacional de catadores e a resistência à incineração como forma de se livrar do lixo.

1 – Como vocês se organizaram para participar da COP-16?

Estamos nos organizando faz tempo e participamos não só desta, mas de todas as conferências. Construímos uma aliança internacional para trocar experiências. Antigamente, participávamos só de eventos paralelos, hoje organizamos eventos e, quando vamos para as discussões, não vamos apenas para ver e fazer perguntas simples, mas para fazer questionamentos aos comitês.

2 – E como vocês têm sido recebidos?

Não é fácil levar novidades, principalmente para quem vem de um país que tem políticas públicas de apoio aos catadores como o Brasil. Em alguns países, como a Índia, não há apoio nenhum. Em outros, como a Colômbia, há perseguição. Mas de modo geral conseguimos colocar nossas propostas. Elogiaram nossa organização.

3 – Vocês são contra a incineração?

A incineração é apresentada como uma novidade ecológica. Falam em reaproveitamento energético, mas, na realidade, vão apenas tirar o material reciclável e enfraquecer a categoria. Hoje são 800 mil catadores no Brasil, 2 milhões na América Latina e 20 milhões no mundo. Todos ameaçados de ficar sem trabalho. Sem falar que a tecnologia não é limpa. Os países europeus querem exportar máquinas de incineração saturadas, paradas, prestes a virar sucata, dissimulando tudo com um discurso ecológico.

4 – Mas não se gera energia com a queima do lixo?

Qual o sentido de pegar plástico e queimar para depois ter que tirar petróleo de novo da natureza e produzir mais plástico? É absurdo falar que isso é reaproveitar energia. No Brasil, dá para gerar energia limpa de verdade, usinas eólicas (de vento), solares. Mas não, em vez disso temos usinas (de incineração) procurando catadores para comprar material reciclável e queimar.

5 – O que poderia ser feito então?

No Brasil, temos o Pró-Catador, um programa para incentivar a reciclagem e o reaproveitamento. O lixo orgânico vira compostagem, o que pode é reciclado e o que sobra, cerca de 10% a 15%, é incinerado. Mas é mentira dizer que a incineração é limpa. Visitamos usinas na Holanda, Itália e França e fomos aos incineradores. O material vira uma cinza que não serve para nada.

6 – E reciclagem?

Na Europa eles não reciclam tanto. A maioria dos países incinera o lixo, acham mais fácil colocar em uma máquina e pronto. A matriz que se desenha no Brasil é a melhor possível. Os catadores conseguem tirar 80%, 90% do material e sobreviver da reciclagem. Estamos no caminho certo. É uma atividade que gera emprego e melhora a vida de quem vive à margem da sociedade.

7 – E o que mais vocês defendem?

A regulamentação da profissão pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e mais políticas públicas para garantir a atividade. Além disso, defendemos a criação de um fundo global administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para beneficiar os recicladores. Fazer alianças é fundamental para conseguir conquistas. Hoje temos inúmeras organizações, pelo menos 200 no Brasil, mesmo com dificuldades. Montar uma cooperativa custa caro. A lei para uma de catadores é a mesma que para uma de médicos.

8 – Como é representar os recicladores em uma conferência internacional?

Fico muito orgulhoso. Saí de um lixão de Natal (RN) aos 12 anos. Não imaginava sequer que havia catadores em outros estados. Depois veio o movimento nacional do Brasil. No começo, se usasse um laptop, olhavam estranho. Era como se catador tivesse que andar sujo, falar errado. Avançamos e desde 2001 estamos identificando companheiros no exterior, fazendo alianças. Temos ótima relação com o presidente e temos sido tratados com respeito.

9 – E agora com Dilma Rousseff?

É continuidade de governo, mas com mudanças. Não é pelo simples fato de o Lula estar passando o poder para ela que esperamos que tudo se resolva. Vamos construir a relação, conquistaremos o apoio dela. E, de todo modo, a gente não constrói só relacionamento, mas políticas públicas. Tudo que conquistamos está consolidado. Pode vir governo de direita, de esquerda, as políticas estão construídas.

10 – O presidente Lula não foi ao México alegando que a COP-16 “não ia dar em nada”. É isso?

Não é a primeira vez que ele fala assim. A gente entende que ele, com agenda saturada, não vá para um evento em que tudo está armado para não dar em nada. Pelo status que ele tem, poderia ter dito de outra forma, mas quando o Lula quer falar, fala de coração. Nós esperamos que, mesmo que não saiam acordos, os integrantes de governo e organizações internacionais entendam que somos aliados, fortes e unidos. Queremos ser reconhecidos. Sabemos da nossa responsabilidade com o meio ambiente. Não queremos, por exemplo, que a população consuma mais para termos mais trabalho. Reduzam as embalagens. Somos a favor do meio ambiente, pensamos em nossos filhos.
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Fonte:http://www.folhauniversal.com.br/integra.jsp?codcanal=9983&cod=151065&edicao=976

quarta-feira, 16 de março de 2011










Severino trabalha como catador desde os 12 anos, mas hoje é um líder na América Latina/Foto: Divulgação


O potiguar Severino Lima Júnior poderia lamentar a realidade difícil de uma vida dedicada ao trabalho árduo. Aos 12 anos de idade, ele já se misturava às centenas de catadores de materiais recicláveis do aterro sanitário de Natal, na capital do Rio Grande do Norte. A condição humilde da família fez com que ele tivesse de encarar o odor e os demais obstáculos de se trabalhar em meio ao lixo, em vez das brincadeiras comuns dos outros meninos de mesma faixa etária.
Mas apesar de tantas adversidades enfrentadas desde cedo, Severino não se prende a lamentações. Com o passar dos anos, o esforço e as circunstâncias fizeram dele uma das principais lideranças do setor em toda a América Latina. Atualmente, é líder-parceiro da Fundação Avina e também representa o Movimento Nacional de Catadores de Recicláveis (MNCR) em eventos internacionais, além de ser um dos articuladores da Rede Latino-Americana e Caribenha de Catadores.
Nesta entrevista ao portal EcoDesenvolvimento.org, Severino conta fatos marcantes de sua trajetória e a importância do trabalho que desenvolve, ao reivindicar melhores condições de trabalho e contribuir, ao mesmo tempo, para o desenvolvimento sustentável da sociedade.



EcoD: Desde 1999, o senhor e outras lideranças do setor de materiais recicláveis articulam a criação de uma organização capaz de representar os interesses da categoria. Como se deu essa iniciativa?
Severino: A partir do conhecimento de que outros catadores do Brasil lutavam por direitos trabalhistas em seus municípios. Entre outros pontos, eles reivindicavam um melhor acesso às ruas para coletarem esses materiais.
EcoD: E como o MNCR está organizado?
Severino: O movimento tem representantes em todos os estados brasileiros. É uma grande organização. Eu, no caso, sou um dos representantes da região Nordeste.
EcoD: De que forma o MNCR contribui para com a preservação do meio ambiente?
Severino: Principalmente com a redução do uso de matérias-primas de origem virgem, como garrafas de vidro e materiais plásticos. Imagine como seriam os lixões e as ruas sem nós catadores! Acho que não teríamos mais espaços para colocar tanto lixo...
EcoD: Como o senhor encara o fato de ter começado a trabalhar no "lixão" a partir dos 12 anos?
Severino: Foi parte de uma necessidade. Mesmo assim, tenho muitas lembranças e histórias boas do Lixão de Natal. Alguns desses relatos são tristes, mas também tem muitas coisas alegres, que me deixaram feliz. O principal deles diz respeito às alianças de casamento de minha esposa e eu. Sabe do que elas foram feitas? Acredite: a partir do ouro de coroas dentárias encontradas por um companheiro de trabalho lá no lixão. Apesar do inusitado, elas ficaram muito bonitas. Minha esposa e eu ficamos muito emocionados com o presente.
EcoD: Existe diferença entre catadores de materiais recicláveis e garis?
Severino: Nós definimos como catadores de recicláveis aqueles que catam materiais de ferro-velho, sucata, papel e papelão, além de vasilhames. Também enquadramos aí os membros de cooperativas de sucata, que separam e fazem à triagem desse material. Já os garis são aqueles profissionais que coletam o lixo domiciliar, ou seja, os resíduos in natura (sem nenhuma seleção).
Ecod: Mais alguém na sua família exerceu ou ainda exerce essa profissão?
Severino: Dois irmãos meus também cataram muito no lixão durante a infância. Atualmente, um deles é pastor de uma igreja evangélica, enquanto o outro é policial militar.









Ao lado de senadores em Brasília (DF), para discutir a regulamentação dos marcos regulatórios e destinação de resíduos sólidos. /Foto: Moreira Mariz/Agência Senado


EcoD: Como liderança dos catadores de materiais recicláveis, o senhor já percorreu boa parte dos países. Será que aquele menino do Lixão de Natal imaginou, algum dia, alçar voos tão altos?
Severino: Rapaz (pausa)... Não. Nunca imaginei que um dia viajaria tanto para lutar por essa causa. Outro dia, viajando pela Europa para conhecer experiências inovadoras das coletas de alguns países de lá, em companhia de outro amigo de lutas, chamado Roberto Laureno, comentei justamente isso. Nós refletimos sobre essa pergunta durante algum tempo, olhamos para o início de nossa luta e chegamos à conclusão de que não tínhamos essa dimensão. Não é tão fácil. Hoje somos referência na América Latina, em decorrência de nosso modelo de organização e articulação.
EcoD: Na sua opinião, quais foram os principais avanços da categoria desde que o MNCR foi criado, em 2001?
Severino: Sem dúvida, a regulamentação da profissão, que nos permitiu o acesso às políticas publicas. Também destaco os avanços da relação com o governo federal e a criação do decreto 5940 [de 25 de outubro de 2006], que institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis.
EcoD: Como o senhor vê a realidade dos catadores atualmente no Brasil? Falta conquistar algo mais?
Severino: Um dos problemas que encontramos é a burocracia, que em nossa concepção, existe para dificultar o acesso dos menos favorecidos ao acesso dos investimentos públicos. Nós temos conquistas importantes que precisam ser celebradas, mas também precisamos de melhorias para a capacitação do nosso trabalho. Eu e os meus companheiros defendemos a criação de novos postos de emprego para os catadores. Outro problema são os atravessadores, que prejudicam os catadores de cidades distantes das capitais.
EcoD: Prejudicam como?
Severino: A crise financeira mundial afetou a nossa categoria de maneira muito drástica. Só para você ter ideia, perdemos mais de 70% de nossa renda, perdemos também o mercado de vários materiais que ficaram inviáveis para a comercialização devido ao custo operacional. Existiam muitos atravessadores/sucateiros que tinham lucros exorbitantes (de até 200%). O que eu quero dizer é que essa recessão global nos ensinou muitas lições. A principal se refere à união que os catadores precisam ter. Unidos, nós somos capazes de vender direto para a indústria. Sem o devido conhecimento, a categoria cede ao assédio desses sucateiros, entende? Precisamos comercializar os materiais em rede, direto para as indústrias.
EcoD: Como o senhor avalia a organização dos catadores de materiais recicláveis nos países da América Latina?
Severino: De uns quatro anos para cá houve um grande avanço nesse sentido. Tivemos a criação da Comissão Nacional de Catadores do Chile, um congresso em nível continental na Colômbia, encontros na Bolívia, Uruguai e Equador. Na Argentina há um movimento muito bem fortalecido e politizado. O Peru também costuma sediar eventos nacionais e grandes congressos. Penso que podemos avançar mais nos países da América Central, que costumam registrar mais dificuldades e apresentar mais problemas organizacionais.
EcoD: O senhor esteve em Bonn, na Alemanha, em junho deste ano, para participar de um encontro mundial sobre as mudanças climáticas. O que pode ser destacado dessa experiência?
Severino: Foi bom porque pudemos discutir as ações de redução das emissões de gases de efeito estufa por meio da mitigação, além de colocarmos a nossa categoria no centro da discussão de temas importantes, capazes de afetarem diretamente a vida das pessoas em todos os países. Hoje nós temos a perspectiva de que, nos próximos anos, poderemos aprovar uma metodologia que possibilite o nosso beneficiamento em relação ao bônus comercializado no mercado internacional de créditos de carbono.

fonte:http://www.ecodesenvolvimento.org.br/avina-leadership/severino-lima-junior-do-lixao-de-natal-para-o